Gestão Tarcísio enfrenta escândalo: R$ 23 milhões em materiais desaparecem na Secretaria de Esportes

A Secretaria de Esportes do governo de Tarcísio de Freitas não conseguiu identificar o paradeiro de R$ 23 milhões em materiais adquiridos pela pasta estadual. O problema veio à tona após a realização de um levantamento no almoxarifado, solicitado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), expondo falhas graves na administração durante a atual gestão.
A equipe responsável pelo inventário constatou registros de compras que totalizam R$ 51,5 milhões, enquanto os itens efetivamente encontrados somavam apenas R$ 16,7 milhões. Após mobilização interna, a secretaria conseguiu rastrear R$ 11,5 milhões — parte deles teria sido distribuída por meio de doações —, mas ainda restam valores significativos sem explicação, reforçando o cenário de descontrole administrativo.

A pasta informou que iniciou medidas corretivas, incluindo o aprimoramento dos mecanismos de monitoramento, rastreabilidade e gestão patrimonial. Em nota, destacou o compromisso com a transparência e com o uso adequado dos recursos públicos, além da elaboração de um relatório preliminar para subsidiar a abertura de investigação interna.
O caso chama ainda mais atenção por ter se desenvolvido durante a administração estadual atual e sob a liderança da então secretária, a coronel Helena Reis, que determinou a criação da comissão responsável pelo levantamento após apontamentos do TCE. A iniciativa ocorreu somente após a identificação de inconsistências, evidenciando fragilidade nos controles internos da gestão.

Relatórios apontam ausência de organização, falta de fiscalização e inexistência de um sistema eficiente de controle de estoque, contrariando normas legais. Imagens anexadas ao processo mostram materiais armazenados de forma precária, em caixas abertas e empilhadas, reforçando o quadro de negligência administrativa.

Apesar das tentativas de regularização e da criação de grupos de trabalho, parte significativa dos materiais segue sem localização. Especialistas destacam que, em situações semelhantes, a abertura imediata de sindicância seria o procedimento mais adequado para apuração dos fatos e eventual responsabilização.
O episódio amplia a pressão sobre o governo de Tarcísio de Freitas, que agora precisa responder sobre falhas na gestão de recursos públicos e na fiscalização interna da Secretaria de Esportes, justamente em um momento em que a administração busca reforçar sua imagem de eficiência e controle.

Esse novo escândalo vem após a Operação Ícaro, deflagrada pelo MP-SP em agosto de 2025, revelou um esquema de corrupção bilionária na Secretaria da Fazenda de SP (Sefaz-SP) durante a gestão Tarcísio de Freitas. Auditores fiscais facilitaram créditos de ICMS, gerando até R$ 1 bilhão em propinas. O caso envolveu prisões de empresários e fiscais, com o decreto nº 67.853/2023, assinado por Tarcísio, sendo apontado como facilitador das fraudes.

Coronel Helena se manifestou nas redes sociais em comentários de veículos que publicaram sobre o novo escândalo e esclareceu que com base no artigo 37 da Constituição Federal, ela colocou a casa em ordem, com transparência e responsabilidade. Procurada pela nossa equipe, a ex-secretária não respondeu a tempo da matéria ir ao ar.
