
A crise na saúde pública de São José do Rio Preto ganhou novos desdobramentos após a Prefeitura anunciar a anulação do convênio firmado com a Santa Casa de Casa Branca. O acordo, estimado em R$ 11,9 milhões, previa a realização de um mutirão com mais de 60 mil exames para reduzir a fila na rede municipal, mas acabou cancelado após questionamentos jurídicos e pressão política.
De acordo com a administração municipal, a decisão de cancelar o contrato foi tomada por cautela administrativa e segurança jurídica, após análise da Procuradoria-Geral do Município indicar inconsistências no processo. O prefeito determinou ainda a abertura de uma sindicância para apurar a tramitação, autorização e execução inicial do convênio, além de iniciar procedimentos para eventual devolução de valores já repassados.
A contratação, que teria sido feita sem licitação ou chamamento público, provocou forte repercussão política e abriu uma crise dentro do governo. Vereadores da oposição, com apoio de parte da base , como Paulo Pauléra, que votou a favor, avançaram com a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), além de pedidos de investigação junto ao Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e Ministério da Saúde.
Em meio à repercussão do caso, o secretário municipal de Saúde, Rubem Bottas, decidiu se afastar do cargo. A saída ocorre em um cenário de desgaste e foi apresentada como uma medida para garantir transparência nas apurações, diante das suspeitas e da pressão política envolvendo o convênio.
Com o cancelamento do acordo e o afastamento do secretário, a Prefeitura tenta reorganizar a gestão da saúde e buscar alternativas para enfrentar a demanda reprimida por exames, que segue afetando milhares de moradores. O episódio, no entanto, reforça o clima de instabilidade na administração municipal e deve continuar no centro do debate político nos próximos dias.